









O conceito de “cegueira botânica” foi introduzido por James H. Wandersee e Elisabeth E. Schussler no contexto da educação científica para designar uma limitação cognitiva e cultural na percepção das plantas no ambiente. Trata-se da tendência humana de não notar as plantas como organismos vivos ativos, de subestimar sua importância ecológica e de negligenciar sua diversidade, frequentemente percebendo-as apenas como pano de fundo para a vida animal.
Do ponto de vista cognitivo, a cegueira botânica está associada a vieses atencionais e perceptivos. O sistema visual humano, moldado evolutivamente para detectar movimento e potenciais ameaças, privilegia estímulos dinâmicos (como animais) em detrimento de organismos relativamente estáticos, como as plantas. Esse viés é reforçado por processos culturais e educacionais que historicamente conferem maior destaque à zoologia do que à botânica, reduzindo a exposição sistemática dos indivíduos à complexidade funcional e evolutiva dos vegetais.
No plano epistemológico e educacional, a cegueira botânica implica uma lacuna na alfabetização científica, pois compromete a compreensão de processos fundamentais como fotossíntese, ciclos biogeoquímicos e interações ecológicas. Além disso, possui implicações diretas para a conservação ambiental, uma vez que a subvalorização das plantas dificulta o reconhecimento de sua centralidade na manutenção da biosfera e na sustentação das cadeias tróficas.
Portanto, o termo não se limita a uma simples desatenção perceptiva, mas expressa um fenômeno multifatorial que articula dimensões cognitivas, culturais e pedagógicas, com consequências relevantes para a formação científica e para a relação sociedade-natureza.
A Fotografia Científica pode contribuir para minimizar esse fenômeno, por meio de imagens de plantas que despertem a atenção das pessoas.


